sábado, 3 de agosto de 2013

O valor do encontro com o público (tribuna de minas 02/08/13)


"[outras] histórias reais", da Cia. 4 pra Nada, de Ribeirão Preto (SP), é uma das peças que serão apresentadas na cidade
Das "Histórias reais", de Sophie Calle, a Cia. 4 pra Nada, de Ribeirão Preto, em São Paulo, fez surgir "[outras] histórias reais". O espetáculo, baseado no livro da artista francesa, que reúne imagens e pequenos textos autobiográficos, resultou em uma resposta aos questionamentos feitos por Sophie acerca do universo feminino. Com encenação de Carlos Canhameiro, o processo de criação parte de perguntas como "Qual o papel do homem na sociedade atual?" e "O que é ser homem?", passa por exercícios de dança, intervenções urbanas, para depois ser sistematizado em dramaturgia, também assinada por Carlos. "É uma dramaturgia fragmentada, e o elo que une as cenas é a temática do trabalho", explica Rafael Bougleux, que divide a cena com Rafael Ravi e André Doriana. Influenciado pelo teatro-dança e pelo teatro performativo, o espetáculo é um dos selecionados para o 7º Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora, que começa no próximo dia 30 e segue até o dia 8 de setembro.
Um dos extremos de uma lista de 13 peças que vão da comédia ao drama, passando por palhaçaria, teatro de bonecos, de repertório e experimental, "[outras] histórias reais" virá à cidade justamente pela nova configuração do festival. Após abolir a mostra competitiva, o evento alcançou recorde de inscrições e despertou grupos que não se interessam por provar que são os melhores. "Nosso desejo maior é a circulação da obra. Mostras competitivas só valorizam uma rixa na área", comenta Rafael.
Segundo o superintendente da Funalfa Toninho Dutra, a resposta à mudança foi bastante satisfatória. "Até agora, houve um grande avanço. Essa é uma tendência dos artistas. Eles não podem ser julgados comparativamente. Cada um tem seu valor por si", analisa. Durante mais de uma semana, a comissão de avaliação - formada por dois membros indicados pelo Conselho Municipal de Cultura (Concult), outros dois representando a Associação dos Produtores de Artes Cênicas (Apac-JF) e quatro membros da Funalfa, além da presidência da comissão ocupada por Dutra -, escolheu três montagens infantis, uma de rua e dez adultas.
Segundo o ator e articulador cultural Felipe Moratori, um dos componentes da comissão, a intenção foi selecionar espetáculos capazes de criar discussões, com grupos que apresentem pesquisa. "Os trabalhos transitam desde a estrutura clássica até o formato mais experimental. Não há como comparar peças tão diferentes", pontua Moratori. Além do cardápio para muitos gostos, o festival esse ano foge das grandes capitais - apenas dois grupos são provenientes da capital paulista - e recebe companhias que, apesar de trafegar pelo eixo RJ-SP, se mantêm no interior. Os grupos pertencem às cidades paulistas de Bauru e Ribeirão Preto, além de Petrópolis (RJ), Goiânia (GO) e Porto Alegre (RS). De Minas Gerais, São João del-Rei e Uberlândia também estarão representadas na mostra. Com seu espetáculo de estreia, "A vida como ela foi...", o grupo T.O.C. é o único local na seleção do festival. Na 2ª Mostra Apac, incluída na programação do festival, três espetáculos da cidade serão apresentados, ampliando a representação local no evento.
"Essa mudança é importante para a história do teatro na cidade. Acabar com a mostra competitiva é um grande passo para o festival e para a classe artística local", defende Moratori, que aposta no caráter atrativo de todos os selecionados. Para o ator Rafael Bougleux, não há preocupação do grupo quanto a enfrentar plateias pouco acostumadas com o teatro contemporâneo. "Por mais que nosso espetáculo não possua uma estrutura clássica, temos uma grande aceitação do público. Afinal, é o espectador que nos ajuda a escrever o que encenamos", conclui, demonstrando que o mergulho nas artes cênicas que o juiz-forano terá a oportunidade de fazer no fim do mês também será uma possibilidade de contato com o que é feito hoje nos palcos.
Além da mostra oficial e da mostra da Apac, o festival receberá espetáculos convidados, ainda não confirmados.




http://www.tribunademinas.com.br/cultura/o-valor-do-encontro-com-o-publico-1.1320401

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