O terceiro e o segundo colocados já haviam sido anunciados. Pouco antes de ouvir o nome da cena que dirigiu, Tom Brynner não conseguia se decidir sobre seu palpite. Eles ficariam de fora? Ou seriam os vencedores mais uma vez? Até que o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, leu o resultado: o esquete "Klaus e a chave tetra" foi o vencedor do 3º Festival de Cenas Curtas de Juiz de Fora, encerrado no último sábado. "Minha primeira sensação foi de alívio", comenta o jovem diretor. Ao lado de Felipe Moratori, Tom integra a Companhia Vinde Presto, presente entre os premiados em todas as edições do evento. Ao receber o troféu, Felipe avaliou a trajetória: "mais importante que conquistar é manter".
Em 2009, o texto "O jardim das cartas renunciadas" foi escolhido como o destaque do festival. No ano seguinte, "Estranho farol dos cacos" ficou com o primeiro lugar. A vitória incentivou a dupla a estender a peça e inscrevê-la na Lei Murilo Mendes. Com o apoio garantido, eles se preparam para estrear em abril, mas já pensam no próximo projeto. "Nossa ideia é ampliar também os outros trabalhos", avisa Felipe. De abril a novembro, os dois estiveram mergulhados no Curso de Teatro do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas. Tom também arrisca algumas justificativas. "Nós nos preocupamos com a linguagem e com cada detalhe, sem preguiça para criar e produzir."
Os jovens, de apenas 23 anos, elogiam o perfil dessa terceira edição do festival, que aceitou somente propostas com montagens e textos inéditos. Segundo Felipe, a regra permite que todos os inscritos tenham o mesmo ponto de partida. Afeito à escrita desde pequeno, o ator é formado em letras pela UFJF. "Aos 7 anos, ganhei meu primeiro prêmio de poesia na escola." O teatro veio mais tarde, em 2008, com o Gattu - Grupo Amador de Teatro Técnico Universitário. Já Tom Brynner começou cedo nos palcos, aos 12, no Caic Santa Cruz. Foi lá que ele aprendeu a ambicionar uma possível perfeição.
"Klaus e a chave tetra" narra o conflito entre o personagem-título e seu pai. Em mundos diferentes, os dois entram em confronto, separados pela porta da frente. Antes, Klaus a esquecia destrancada, porém, com a chegada da chave tetra, passou a deixá-la na fechadura, o que impede a entrada do pai. Sozinho, o menino constrói uma realidade imaginária, traçando desenhos com um giz que encontrou em seu armário.

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